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03.04.2012
A Relevância da Manipulação Articular no tratamento da Lombalgia

          Na última década, a patologia músculo-esquelética de maior prevalência em consultórios, a lombalgia, repercutiu tanto a ponto de voltar a atenção por parte da comunidade científica, na tentativa de atenuar sua repercussão problemática no âmbito social, de saúde pública e das crescentes inconveniências econômicas envolvidas, por sua conseqüência.
          A existência de poucos estudos que a comparam com outras técnicas e alternativas de tratamento, fez com que os profissionais por muito tempo se baseassem em testes diagnósticos com confiabilidade e validade questionáveis no processo de tomada da decisão clínica/terapêutica. Para a obtenção de resultados mais positivos, pesquisadores realizaram uma investida onde os estudos buscavam promover a melhoria dos processos de avaliação e triagem, identificando os potenciais candidatos que se beneficiariam mais com a manipulação articular ou demais tratamentos, diferente do que era experimentado1.
          Sabe-se que a manipulação da coluna vertebral é uma intervenção utilizada por fisioterapeutas no tratamento de indivíduos com lombalgias, porém sem muitas evidências científicas de seus resultados.  Vários ensaios clínicos randomizados têm observado que a manipulação da coluna vertebral é mais eficaz do que orientações5,7,8,10 ou outras intervenções para pacientes com lombalgia aguda 4,6,9,11. Outros estudos não mostraram qualquer benefício da manipulação da coluna vertebral comparando-se com outras intervenções2.  

          Os resultados aparentemente conflitantes destes ensaios clínicos podem ser parcialmente atribuídos ao fato que os pesquisadores admitiram que todos os pacientes com lombalgia apresentavam condições clínicas uniformes, em vez de se tentar identificar quais pacientes com lombalgia teriam maior probabilidade de se beneficiar da manipulação. Terapeutas que utilizam freqüentemente a manipulação da coluna como parte de seu plano de tratamento, verificam que alguns pacientes com lombalgia respondem positivamente e rapidamente a manipulação da coluna vertebral com remissão gradual dos sintomas, enquanto outros não apresentam considerada melhora. Por decorrer destas questões, surgiram estudos apontando evidências de que tratamentos baseados em classificações de pacientes de acordo com apresentação clínica e limitações funcionais, se mostravam mais eficazes.
          Este estudo de grande relevância considerou de forma segura a indicação da manipulação vertebral como escolha para o tratamento da lombalgia mesmo em fase aguda, desde que preenchidos os seguintes critérios: sintomas recentes, sem dor a baixo do joelho, boa rotação interna do quadril (>35°), hipomobilidade lombar, percepção psicológica positiva do paciente pela modalidade terapêutica indicada; e descartada as “red flags”, que configuram patologias como câncer ósseo, espondilolistese, doenças reumáticas, infecções locais, osteoporose e outras3.
          Os apontamentos científicos atuais verificam a necessidade e o domínio por parte do Fisioterapeuta, na utilização de técnicas mais elaboradas de manipulação articular como a QUIROPRAXIA e a OSTEOPATIA, atendendo com devida importância às suas indicações. Como já sugeria Steve Rose (1989)... “devemos atentar para os achados da história e exame físico, para reconhecer pacientes que respondam a tratamentos específicos com o objetivo de decidir o manejo fisioterápico e melhorar a eficácia do tratamento”.

 

 

 

Prof. Ms. Rodrigo Arenhart

Professor do curso de Quiropraxia na Coluna Vertebral
do Grupo FisioWork®

 

Mestre em Biomecânica/UDESC
Especialista em Quiropraxia/ABRAFIQ
Especialista em Ortopedia e Traumatologia
Especialista em Fisioterapia Esportiva / SONAFE
*Professor Graduação Fisioterapia / URI
*Professor Pós-graduação: URI, IOT, ACE, UNICSUL/Odontocenter
*Professor curso de Aprimoramento em Quiropraxia / FisioWork®

 

REFERÊNCIAS:


1 Flynn T, Fritz J, Whitman J, et al. A clinical prediction rule for classifying patients with low back pain Who demonstrate short-term improvement with spinal manipulation. Spine. 2002;27(24):2835–2843.
2 Cherkin DC, Deyo RA, Battie M, Street J, Barlow W. A comparison of physical therapy, chiropractic manipulation, and provision of an educational booklet for the treatment of patients with low back pain. N Engl J Med.
1998;339(15):1021–1029.
3 Childs JD, Fritz JM, Piva SR, Erhard RE. Clinical Decision Making in the Identification of Patients Likely to Benefit from Spinal Manipulation: A Traditional Versus an Evidence-Based Approach, J Orthop Sports Phys Ther • Volume 33 • Number 5 • May 2003
4 Delitto A, Cibulka MT, Erhard RE, Bowling RW, Tenhula JA. Evidence for use of an extension-mobilization category in acute low back syndrome: a prescriptive validation pilot study. Phys Ther. 1993;73(4):216–222; discussion 223–218.
5 Erhard RE, Delitto A, Cibulka MT. Relative effectiveness of an extension program and a combined program of manipulation and flexion and extension exercises in patients with acute low back syndrome. Phys Ther. 1994;74(12):1093–1100.
6 Erhard RE. The Spinal Exercise Handbook: A Home Exercise Manual for a Managed Care Environment. Pittsburgh, PA: Laurel Concepts; 1998.
7 McGill SM. Low back exercises: evidence for improving exercise regimens. Phys Ther. 1998;78(7):754–765.
8 Postacchini F, Facchini M, Palieri P. Efficacy of various forms of conservative treatments in low back pain: a comparative study. Neuro Orthop. 1988;6(1):28–35.
9 Koes BW, Bouter LM, van Mameren H, et al. The effectiveness of manual therapy, physiotherapy, and treatment by the general practitioner for nonspecific
back and neck complaints. A randomized clinical trial. Spine. 1992;17(1):28–35.
10 Wreje U, Nordgren B, Aberg H. Treatment of pelvic joint dysfunction in primary care—a controlled study. Scand J Prim Health Care. 1992;10(4):310–315.
11 Triano JJ, McGregor M, Hondras MA, Brennan PC. Manipulative therapy versus education programs in chronic low back pain. Spine. 1995;20(8):948–955.
 

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