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20.04.2010
Idosos Cadeirantes

Responsável pela edição:

Evandro dos Santos Fortino - Fisioterapeuta - CREFITO 5 - 5694 - LTT/F

 

          O envelhecimento está frequentemente associado a mudanças funcionais, pois, à medida que se envelhece, há maior prevalência de doenças crônico-degenerativas. Essas doenças são caracterizadas por sua permanência e irreversibilidade, levando a maiores chances de desenvolver incapacidades funcionais, exigindo cuidados de longa permanência e perda de autonomia (RAMOS, 2005). Um indivíduo idoso portador de doença crônica pode ser considerado saudável, se comparado com o idoso com a mesma doença, porém sem controle deste, com sequelas associadas. Sendo assim, Alves, Leite e Machado (2008), afirmaram que o que importa é a habilidade para desempenhar uma atividade e não a doença propriamente dita.


          Segundo Caldas (2003), a capacidade funcional é a capacidade do indivíduo de adaptar-se aos problemas cotidianos e executar AVDs, incluindo a sua participação como indivíduo na sociedade. As AVDs podem ser definidas como “atividades de cuidado pessoal que a própria pessoa pode realizar todos os dias, como comer, vestir-se, tomar banho, realizar transferências de posições, controlar bexiga e intestino” (REBELATTO;  MORELLI, 2004, p. 95). Porém, Guimarães et al. (2004), acrescentaram que, para o idoso viver independente, também é importante a manutenção das atividades instrumentais de vida diária (AIVDs), atividades mais complexas, como usar transporte urbano, usar telefone, fazer comprar, administrar assuntos financeiros, entre outros. Na terceira idade, costuma-se observar baixos níveis de capacidade funcional, principalmente devido à depreciação das funções físicas, como a diminuição da função dos sistemas osteomuscular, cardiorespiratório e nervoso, situação que pode impedir os idosos de realizar suas atividades cotidianas com eficiência (CAMARA et al., 2008).


          A capacidade funcional está intimamente ligada à qualidade de vida dos idosos e ao envelhecimento bem sucedido. A perda da função, principalmente no que diz respeito à dimensão motora, está associada a predição de fragilidade, dependência, institucionalização, risco aumentado de quedas, morte e problemas de mobilidade (GUIMARÃES et al., 2004, REBELATTO; MORELLI, 2004).


          A capacidade de deambular é um dos fatores mais importantes na qualidade de vida do idoso, sendo que, quando o idoso perde essa capacidade, torna-se dependente. O efeito acumulativo de alterações relacionadas à idade, como diminuição da visão e da sensibilidade plantar, distúrbios vestibulares e proprioceptivos, aumento de tempo de reação a situações de perigo, somada a doenças e ao meio ambiente inadequado, podem alterar o padrão da marcha, favorecendo o risco de quedas (SANGLARD et al., 2004).


          Num estudo realizado por Fortino (2009) em 16 Instituições de Longa Permanência para Idosos na cidade de Novo Hamburgo, verificou-se que, dos 325 idosos institucionalizados, 119 (36,75%) são cadeirantes. Segundo Silva et al. (2007), as principais alterações anatômicas e funcionais relacionadas ao envelhecimento são as alterações na composição e forma do corpo, como a diminuição da estatura, a distribuição centrípeda da gordura corporal, a perda de massa muscular, diminuição da massa óssea e o declínio das aptidões psicomotoras. Estas alterações provocam instabilidade postural, sendo que uma das consequências é a utilização da cadeira de rodas, sendo esta uma alternativa dos cuidadores para reduzir o risco de queda do idoso.


          Segundo Bernardo, Reis e Lopes (2008), o declínio de vários sistemas fisiológicos, especialmente o sistema músculo esquelético, traz decréscimos que podem influenciar na habilidade do idoso para responder a situações em que seja necessário recuperar o equilíbrio. Isso porque há diminuição da capacidade de desenvolver torques rápidos nas articulações, alem de trazer lentidão de respostas efetoras, redução da capacidade funcional, alterações na marcha, menor resistência à fadiga e perda da amplitude de movimento (REBELATTO; MORELLI, 2004).  Ainda, de acordo com Sanglard et al. (2004) as alterações fisiológicas do envelhecimento, associadas ao evento de queda, fazem com que o idoso perca a confiança em seus movimentos, tornando-o cada vez mais sedentário.


          A Fisioterapia tem um papel muito importante durante o processo do envelhecimento. O Fisioterapeuta é um profissional da saúde habilitado a trabalhar com promoção, prevenção, avaliação e reabilitação em saúde em todas as etapas de evolução do ser humano. O profissional deve aplicar seus conhecimentos e técnicas objetivando manter o indivíduo funcionalmente ativo, incentivando o máximo de atividades e funções dentro do  convívio social.


REFERÊNCIAS:

  • ALVES, Luciana Correia; LEITE, Iúri da Costa; MACHADO, Carla Jorge. Conceituando e mensurando a incapacidade funcional da população idosa: uma revisão de literatura. Revista Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, n. 13, v. 4, p. 1199-207, 2008.
  • BERNARDI, Daniela Filócomo; REIS, Mariana de Almeida Santos; LOPES, Natália Bermejo. O tratamento da sarcopenia através do exercício de força na prevenção de quedas em idosos: revisão de literatura. Revista Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, v. 12, n. 2, p. 197-213, 2008.
  • CALDAS, Célia Pereira. Envelhecimento com dependência: responsabilidade e demandas da família. Caderno da Saúde Pública, Rio de Janeiro, n. 19, v. 3, p. 773-81, março/junho, 2003.
  • CAMARA, Fabiano Marques et al. Capacidade funcional do idoso: formas de avaliação e tendência. Acta Fisiátrica, São Paulo, v. 15, n. 4, p. 249-56, 2008.
  • FORTINO, Evandro dos Santos. O idoso institucionalizado e o uso de cadeira de rodas. Trabalho de conclusão do curso de Bacharel em Fisioterapia da Universaidade Feevale, Novo Hamburgo, 2009.
  • GUIMARÃES, Laiz Helena de Castro Toleto et al. Avaliação da capacidade funcional de idosos em tratamento fisioterapêutico. Revista Neurociências, São Paulo, n. 3, v. 12, p. 131-4, julho/setembro, 2004.
  • RAMOS, Luiz Roberto. Geriatria e gerontologia. 1 ed, São Paulo: Manole, 2005, 346 p.
  • REBELATTO, José Rubens; MORELLI, José Geraldo da Silva. Fisioterapia Geriátrica, 1 ed, São Paulo: Manole, 2004, 455 p.
  • SANGLARD, Renata Coury Figueredo et al. Alterações dos parâmetros da marcha em função das queixas de instabilidade postural e quedas em idosos. Jornal Fitness & Performance, Rio de Janeiro, v. 3, n. 3, p. 149-56, maio/junho, 2004.
  • SILVA, Tatiana Magalhães et al. A vulnerabilidade do idoso para as quedas: análise dos incidentes críticos. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 9, n. 1, p. 64-78, 2007.


 

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