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23.03.2010
Idoso na Unidade de Terapia Intensiva

Responsável pela edição:

Cláudia Urban Kist - Fisioterapeuta - CREFITO 5 - 123.746 - F

 

          As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são unidades altamente complexas, destinadas ao atendimento de pacientes graves, que demandam espaço físico apropriado, equipamentos de alta tecnologia e recursos humanos especializados (BARRETO, VIEIRA e PINHEIRO, 2001). As UTIs foram implantadas no Brasil na década de 1970 a partir da necessidade de concentração e aperfeiçoamento de recursos materiais e humanos para o atendimento de pacientes graves, em estado crítico, mas considerados ainda como recuperáveis (VILA e ROSSI, 2002; FAQUINELLO e DIÓZ, 2007).


          Como estas unidades demandam altos custos, faz-se necessário a definição de critérios de internação e alta de pacientes na UTI, considerando os diversos aspectos envolvidos na indicação do tratamento intensivo, com vistas a beneficiar o paciente e otimizar recursos. Nesse sentido, a idade é um dos fatores a serem considerados, uma vez que traz questionamentos quanto à aplicação de recursos na UTI e a relação custo-benefício nessas unidades (CIAMPONE et al., 2006).


          Diante do envelhecimento, o corpo tem suas reservas funcionais reduzidas, com declínio em sua função cardiovascular, pulmonar e renal. Há também redução de massa e força muscular, bem como perda da memória.  Tais alterações repercutem signifcativamente no ambiente de UTI, onde só pela idade já se tem dificuldades no manejo ventilatório e  hemodinâmico  desses pacientes (STEIN et al., 2009).


          Porém, Feijó et al. (2006) salientam que a idade por si só não determina um pior prognóstico, mas sim os fatores associados à idade, tais como gravidade da disfunção aguda, comorbidades, estado funcional antes da admissão na UTI, necessidade do uso de ventilação mecânica invasina (VMI). Segundo Souza et al. (2008), a mortalidade de pacientes idosos é alta, principalmente quando associada ao uso de ventilação mecânica invasiva, chegando a 92% entre os idosos com mais de 75 anos.


          Segundo Veras (2003), as mudanças no perfil demográfico da população brasileira não traz somente mudanças sociais e culturais, também implica, em termos de utilização dos serviços de saúde, um maior número de problemas de longa duração, que normalmente exigem intervenções de alto custo, envolvendo tecnologia complexa para um cuidado adequado. Feijó et al. (2006) acrescentam que em pacientes acima de 75 anos, os custos por diária de UTI chegam a ser sete vezes superior, quando comparados com os de pacientes com idade inferior a 65 anos.


           É importante, porém, lembrar que o atendimento ao idoso deve proporcionar não somente o controle da doença, como também a melhora da qualidade de vida. Os profissionais da saúde devem estar preparados não só para situações de emergências, determinando ações terapêuticas, mas também para atender as necessidades biopsicossocioculturais do paciente crítico, com ações manifestadas nos âmbitos organizacional, ambiental, tecnológico e nas inter-relações.

 

REFERÊNCIAS:

  • BARRETO, S.M.; VIEIRA, S.R.R.; PINHEIRO, C.T.S. Rotinas em terapia intensiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.
  • CIAMPONE, Juliana Trench at al. Necessidades de cuidados de enfermagem e intervenções terapêuticas em Unidade de Terapia Intensiva: estudo comparativo entre pacientes idosos e não idosos. Acta Paulista de Enfermagem, v. 19, n. 1, p. 28-35, 2006
  • FAQUINELLO, Paula; DIÓZ, Majoreth. A UTI na ótica de pacientes. Revista Mineira de Enfermagem, v. 11, n. 1, p. 41-7, janeiro/março, 2007.
  • FEIJÓ, Carlos Augusto ramos. Morbimortalidade do idoso internado na unidade de terapia intensiva de um Hospital Universitário de Fortaleza. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 18, n. 3, p. , julho/setembro, 2006
  • SOUZA, Cleber Ricardo de et al. Preditores da demanda de trabalho de enfermagem para idosos internados em unidade de terapia intensiva.Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 16, n. 02, p. ., março/abril, 2008
  • STEIN, Francine de Cristo et al. Fatores prognósticos em pacientes idosos admitidos em unidade de terapia intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 21, n. 3, p. 255-61, 2009.
  • VERAS, Renato. Em busca de uma assistência adequada à saúde do idoso: revisão da literatura e aplicação de um instrumento de detecção precoce e de previsibilidade de agravos. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3, p. 705-15, maio/junho, 2003.
  • VILA, Vanessa da Silva Carvalho; ROSSI, Lídia Aparecida. O significado cultural do cuidado humanizado em unidade de terapia intensiva: muito falado e pouco vivido. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 10, n. 2, p. 1377-44, março/abril, 2002.

 

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