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16.12.2009
Postura na Infância

Responsável pela edição:

Evandro dos Santos Fortino

Sócio FisioWork-RS

 

          A Academia Americana de Ortopedia define a postura como o estado de equilíbrio entre músculos e ossos com capacidade para proteger as demais estruturas do corpo humano de traumatismos, seja na posição em pé, sentado ou deitado. A postura consiste numa relação estável entre o sujeito e o meio, o que resulta numa estabilização espacial.  Dessa forma, quando o indivíduo se percebe, tem a impressão de estabilidade no espaço por ele ocupado (BRACCIALLI; VILARTA, 2000).


          Crianças em idade escolar transportam em média, pesos significativamente superiores a capacidade de seus grupos musculares, determinando altos níveis de compressão da região lombo-sacra, acarretando demanda excessiva da musculatura lombar e vários tipos de alterações posturais (REBELATO; CALDAS; VITTA, 1991). Concomitantemente, é nesta fase que a postura da criança sofre diversas transformações na tentativa de adequar o equilíbrio às novas proporções de seu corpo e seus hábitos posturais trarão conseqüências futuramente (FERRONATO; CANDOTTI; SILVEIRA, 1998). As alterações posturais mais comuns são: a hiperlordose (aumento da curvatura lombar), hipercifose (aumento da curvatura torácica) e escoliose, sendo esta uma curvatura lateral da coluna, um problema de assimetria que desequilibra o corpo humano, e tal desequilíbrio pode provocar alterações na marcha do indivíduo (RAMOS; REIS; ESTEVES, 2006).


          As alterações posturais na infância são fatores que predispõe as condições degenerativas da coluna no adulto, tornando necessário estabelecer mecanismos de intervenção precoce como meio profilático. O reconhecimento precoce dos desvios posturais minimiza a evolução e complicações futuras, sendo que o corpo da criança e do adolescente encontra se na fase em que as alterações significativas, repentinas e desordenadas, facilitam o aparecimento ou acentuação dos problemas posturais. Contudo, considera-se, que enquanto o crescimento não estiver concluído, seja possível agir sobre as estruturas esqueléticas corrigindo, e realinhando-as mais efetivamente. (BRACCIALLI; VILARTA, 2000).


          Assim, é fundamental que os educadores, pais ou responsáveis, fiquem alertas para a importância do exame postural no início da puberdade.  Desse modo, a realização de avaliações posturais e testes específicos de flexibilidade e de força muscular, bem como avaliações específicas feitas por profissionais da saúde, podem fornecer informações sobre as adaptações que estão ocorrendo na postura da criança durante os anos, em função de seu crescimento e desenvolvimento de seus hábitos cotidianos. Este tipo de informação é com certeza um valioso meio de prevenção de futuros desvios postural, a fim de evitar que estas crianças se tornem adultos sedentários e com desvios posturais. (DETSCH; TARRAGO 2005).

 

REFERÊNCIAS:

 

  • BRACCIALLI, Lígia Maria Presumido; VILARTA, Roberto. Aspectos a serem considerados na elaboração de programas de prevenção e orientação de problemas posturais. Rev. Paulista de Educação Física, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 159-71, julho/dezembro, 2000.
  • FERRONATO, A.; CANDOTTI, C.T.; SILVEIRA, R.P. A incidência de alterações de equilíbrio estático da cintura escapular em crianças entre 7 e 14 anos. Movimento, v. 9 24-30, 1998. 
  • RAMOS, Eliane; REIS, Diogo Cunha dos; ESTEVES, Audrey Cristine. Análise cinemática da marcha em portador de escoliose idiopática. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 8, n. 3, p. 85-92, 2006.
  • REBELATO, J.R.; CALDAS, M.A.J.; VITTA, A. Influência do transporte do material escolar sobre a ocorrência de desvios posturais em estudantes. Rev. Bras. Ortop.: 26(11): 403-410, 1991.  

 

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