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23.11.2009
Osgood Schlatter: Disfunção comum entre os adolescentes


 

INTRODUÇÃO:

 

          Uma das lesões mais comuns que ocorre na prática esportiva em crianças é a patologia de Osgood-Schlatter, que primeiramente foi descrita em 1903 por Osgood, na qual acontece durante a adolescência em forma de tumefação em torno da tuberosidade da tíbia e do tendão patelar (LOVELL e WINTER, 1988). 
          Trata-se de uma condição freqüentemente denominada de osteocondrite, porém não é mais do que um traumatismo por tração, da estrutura na qual se insere uma parte do tendão patelar (APLEY e SOLOMON 1998).
Em outra descrição é definida como uma apofisite (inflamação da inserção tendínea) da tuberosidade da tíbia, causada por inflamação crônica e microavulsão, ou ligeiro rompimento do tendão patelar em seu ponto de inserção (RATLIFFE, 2000).
          Uma das formas de colapso da apófise é por uso excessivo. O excesso de carga aplicada por um longo período de tempo pode resultar em alterações estruturais agudas, onde o organismo fica temporariamente incapaz de se recuperar. A inserção apofisária imatura, em vez de avulsão desenvolve microrrupturas do tendão e hemorragias associadas. Outra denominação que se difere das demais, explica que a causa seria uma periostite ou a formação de osso novo por lesão do tendão patelar (LOVELL e WINTER,1988).
          O atleta jovem apresenta uma especificidade músculo-esquelética, onde suas características estruturais específicas o torna suscetível a lesões musculoesqueléticas, algumas delas resultando em sérias conseqüências. Estruturalmente, o sistema músculo-esquelético do jovem atleta não é equivalente ao adulto.
Sendo cada vez mais freqüente a participação dos jovens adolescentes em atividades esportivas e de condicionamento físico, o conhecimento dessa condição é fundamental para os profissionais que cuidam dessa população (LOURENÇO, 2000).
          Comumente vista entre as idades de 10 a 15 anos. Mais freqüente entre meninos, numa proporção de 3:1, que participam de esportes, possivelmente pela sua maior massa e força muscular. Geralmente é acompanhada de uma história de crescimento rápido que leva aos sintomas (LOURENÇO, 2000, TACHDJIAN, 1972).

 

ETIOLOGIA:

 

          Necrose avascular ou genericamente uma osteocondrite (isquemia localizada, necrose óssea da tuberosidade anterior da tíbia).
          Estresse traumático por tracionamento constante do tendão patelar provocando lise e fragmentação do tecido ósseo – cartilaginoso local.
          Uma etiologia traumática ou de uso excessivo também explica a incidência cinco vezes maior em adolescentes que são ativos nos esportes, e a incidência duas e três vezes maior em indivíduos do sexo masculino (SNIDER, 2000).
          Também pode ser por periostite, formação de osso novo por lesão do tendão patelar, ainda se diz que é uma síndrome por uso excessivo relativo, que reflete desequilíbrio de tensão e desvio lateral da estrutura quadricipital (LOVELL e WINTER, 1988).
          Considera-se que seja causada por crescimento rápido dos ossos longos, acoplado à tensão sobre o tendão da patela por causa das atividades esportivas (RATLIFFE, 2000).
          A condição pode ser reconhecida como tendinite da porção distal do tendão patelar, com secundária formação de osso heterotópico, junto com necrose avascular do tubérculo tibial proximalmente. É consenso que o trauma é a causa de Osgood-Schlatter, porém, alguns autores descordam com a natureza da lesão primária. Existem evidências de que o processo é causado por estresse do quadríceps femoral sobre a tuberosidade da tíbia durante o período de crescimento quando o tubérculo tibial é muito susceptível a lesão e a tração do ligamento patelar produz desprendimento de fragmentos da cartilagem de uma porção da tuberosidade tibial (TACHDJIAN, 1972).

 

DIAGNÓSTICO:

 

          O diagnóstico de Osgood-Schlatter é baseado nos sinais clínicos e sintomas, tais como dor, calor, sensibilidade local aumentada, e geralmente inchaço local e proeminência na área da tuberosidade tíbia. Tipicamente a dor ocorre quando o joelho é alongado contra resistência (KUJALA; KVIST e HEINONEN, 1985).
          Pode-se também diagnosticar através de alguns exames tais como: raios-X, ressonância magnética e cintilografia óssea para que outras patologias sejam excluídas. (CONNOLLY, S.; CONNOLLY, L. e JARAMILLO, D., 2001).
          Os pacientes comunicam uma dor que é exacerbada por atividades que envolvam corrida, salto e ajoelhar-se. A dor também pode ocorrer em seguida a um período prolongado na posição sentada com os joelhos flexionados. Quase todos os pacientes continuam praticando suas atividades após tratamento (SNIDER, 2000).

 

COMPLICAÇÕES:

 

         Não união da tuberosidade da tíbia (persistência dos sintomas);
         Fusão prematura da extremidade anterior da epífise tibial superior (genu recurvatum);
          Incapacidade é prolongada a patela pode tornar-se alta e sua superfície articular fica sujeita a constantes traumas e osteoartrite (TUREK, 1991);
          Elevação da patela até 2 cm mais alta no lado envolvido (tensão no tendão patelar e condromalácea) (TACHDJIAN, 1988).
          Cerca de 60% dos pacientes com Osgood-Schlatter podem ter dor ao ajoelhar-se quando adultos. Fratura com avulsão do tubérculo tibial pode ocorrer.
          Osgood-Schlatter pode levar a grande deformidade anterior do joelho, pacientes, especialmente meninas podem ter esta seqüela estética (WALL, 1998).
          Um ossículo intratendíneo é uma das complicações da patologia de Osgood-Schlatter, este é derivado originalmente de um fragmento da tuberosidade tibial. Mais tarde este osteófito aumenta pela proliferação de um calo ao seu redor. O osteófito pode se fragmentar em várias partes o que tardiamente pode levar a osteoartrose (LAZERTE e RAPP, 1958).

 

FISIOTERAPIA:

 

          A fisioterapia pode participar com modalidades para aliviar a dor e com exercícios para preservar a força do músculo quadríceps, e promover a boa forma física geral durante o período de recuperação. Os exercícios isométricos do músculo quadríceps com o joelho em extensão não tensionam a inserção do tendão da patela e ajudam a preservar o volume muscular, contudo, os exercícios vigorosos do quadríceps são contra-indicados (RATLIFFE, 2000).
          Por outro lado, esses pacientes apresentam invariavelmente encurtamento dos músculos posteriores da perna. Também é essencial um bom programa de alongamento dirigido a estas estruturas (TACHDJAN, 1988).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • LOVELL, W. W.; WINTER, R. B. Ortopedia Pediátrica. Buenos Aires: Panamericana, 1988.
  • APLEY, A. G.; SOLOMON, L. Ortopedia e Fraturas em Medicina e Reabilitação. 6ed. São Paulo: Atheneu, 1998.
  • RATLIFFE, K. T. Fisioterapia na Clínica Pediátrica: guia para a equipe de fisioterapeutas. São Paulo: Santos Livraria, 2000.
  • LOURENÇO, B. Doença de Osgood-Schlatter: o que o pediatra precisa saber. São Paulo, 2000. Disponível em http://www.medstudents.com.br. Acesso em: 08 de março de 2002.
  • TACHDJIAN, M. O. Pediatric Orthopedics. Philadelphia: Saunders Company, 1972.
  • SNIDER, R. K. Tratamento das doenças do sistema musculoesquelético. São Paulo: Manole, 2000.
  • KUJALA, V. M.; KVIST, M.; HEINONEN, O.Osgood – Schlatter’s disease in adolescent athletes: retrospective study of incidence and duration. The American Journal of Sports Medicine, Finland, v.13, n.4, p.236-241, 1985.
  • CONNOLLY, S. A.; CONNOLLY, L. P.; JATAMILLO, D. Imaging of Sports Injuries in Children and Adolescents. Radiologic clinics of North America, Boston, v.39, n.4, p. 773-790, jul. 2001.
  • TUREK, S. L. Ortopedia – princípios e sua aplicação. São Paulo : Manole, 1991.
  • WALL, E. J. Osgood – Schlatter Disease: Practical Treatment for a self-limiting condition. The Physician and Sportsmedicine. V.26, n.3, mar - 1998.
  • LAZERTE, G.D.; RAPP, I. H. Pathogenesis of Osgood-Schlatter’s Disease. Am J Pathol, v.34, n.4, p. 803-815, 1958.
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Responsável pela edição: Mariana Castro Padilha Süffert – Fisioterapeuta – CREFITO 5 – 115.372-F


 

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