NOTÍCIAS

10.11.2009
Alterações e Disfunções Geriátricas

O envelhecimento é um processo comum a todos os seres vivos.  As pessoas idosas constituem  atualmente um grupo crescente em todo o mundo, e com avanços contínuos na prática e nas ciências da área da saúde, essa tendência perdurará. Com o envelhecimento, acontecem mudanças nos tecidos corpóreos que se manifestam de vários modos. Essas mudanças envolvem alterações bioquímicas na composição do tecido e alterações causadas secundariamente pelos danos acumulados em estruturas com potencial de reparação limitado.

Uma vez que envelhecemos, apresentamos perda em nossa estatura. Essa perda é de aproximadamente 1 cm por década, e começa a acontecer por volta dos 40 anos de idade. Segundo alguns autores essa perda ocorre, principalmente, pela diminuição dos arcos do pé, pelo aumento das curvaturas da coluna e também pela diminuição no tamanho da coluna vertebral, devido a perda de água dos discos intervertebrais decorrentes dos esforços de compressão a que são submetidos ao longo da vida.

O idoso também apresenta certas alterações características como o aumento dos diâmetros da caixa torácica e do crânio, a continuidade de crescimento do nariz e do pavilhão auditivo. Notamos também aumento do tecido adiposo, principalmente na região abdominal. O teor de água corporal diminui pela perda hídrica intracelular e também há perda de potássio, principalmente pela diminuição do número de células nos órgãos. Esses fatores levam o idoso a perder massa corporal, afetando vários órgãos, como rins e fígado; mas os músculos são os que mais sofrem com essa perda de massa com o passar do tempo. Essa perda de massa muscular ocorre principalmente pela diminuição no peso muscular, pela perda de unidades motoras e ao fato de que nas placas motoras nos idosos as pregas são mais numerosas e as fendas sinápticas se tornam mais amplas, reduzindo a superfície e contato entre o axônio e membrana plasmática. Conseqüentemente, o idoso terá menor qualidade em sua contração muscular, menor força, menor coordenação dos movimentos e, provavelmente, maior probabilidade de sofrer acidentes, como por exemplo, as quedas.

Entre os vários acometimentos da população idosa, a queda é o mais incapacitante e preocupante, pois um único evento pode trazer inúmeras conseqüências. Poderá haver situações problemáticas no âmbito social (institucionalização) e no econômico (maior tempo de hospitalização e maior demanda de medicamentos); e em relação a saúde, em função de fraturas, úlceras de decúbito, síndrome do imobilismo, entre outros.  As quedas constituem grande causa de morbidade e mortalidade para pessoas com mais de 65 anos. Entre as pessoas com mais de 80 anos, aproximadamente 2/3 das mortes ligadas a lesões são decorrentes das quedas.

O idoso que já sofreu uma ou mais quedas, pode apresentar sinais evidentes de uma situação clínica de fragilidade, imobilidade, instabilidade ou outras doenças secundárias não diagnosticadas. Da mesma forma, as quedas recorrentes em idosos podem contribuir para o declínio funcional, caracterizado por limitação da atividade física diária, medo de sofrer novas quedas e perda da mobilidade e da independência para realização das tarefas habituais e básicas da vida diária.

O tratamento fisioterapeutico na população idosa é fundamental na recuperação de inúmeras condições de saúde, na independência funcional do idoso e em sua qualidade de vida. Com a imobilização decorrente de fraturas, ocorre o enfraquecimento das estruturas do tecido conjuntivo, a degeneração da cartilagem articular, a atrofia muscular e o desenvolvimento de contraturas, assim como diminuição da circulação. A fisioterapia é capaz de promover melhoras significativas nesses quadros que, aparentemente, parecem irreversíveis. A fisioterapia é capaz de manter as articulações, cartilagens e músculos em seu estado mais próximo da normalidade, usando exercícios apropriados sem prejudicar o alinhamento corporal no local da fratura. Se for necessário repouso ou imobilização no leito, ocorrerão alterações fisiológicas secundárias em todo o corpo. Exercícios globais para as partes não envolvidas podem minimizar esses efeitos secundários.

Os principais objetivos no tratamento e no plano de assistência fisioterapeutica nesses casos envolvem diminuição dos efeitos da inflamação durante o período agudo, diminuição dos efeitos da imobilização, ensinamento de adaptações funcionais ao idoso, diminuição da restrição articular e diminuição da perda de força muscular. As técnicas fisioterapeuticas envolvem proteção, posicionamento e elevação do local acometido, exercícios com contrações musculares intermitentes de amplitude de movimento ativa para as articulações localizadas acima e abaixo da região imobilizada; nos casos em que o paciente encontra-se restrito ao leito, a fisioterapia promove exercícios resistidos nos grupos musculares não imobilizados, especialmente na preparação da marcha; e ainda prepara o paciente para a utilização de aparelhos para assistência e suporte de deambulação ou mobilização no leito.  A recuperação da resistência muscular ocorre com séries de exercícios concêntricos e excêntrico, e a diminuição da perda de flexibilidade dos tecidos musculares e periarticulares envolvidos, a fisioterapia é capaz de promover e ensinar auto-alongamentos, assim como realiza treino proprioceptivo com exercícios que estimulam a coordenação e equilíbrio.

O idoso também é mais propenso a apresentar problemas respiratórios e de desenvolver quadros de insuficiência respiratória, podendo desenvolver atelectasias, reter secreções e sofrer infecções respiratórias. Os sintomas respiratórios agudos estão entre as razões mais comuns de enfermidades respiratórias nos idosos e acabam por necessitar de atenção médica e fisioterapêutica.

Essas alterações se explicam pelas mudanças na função imunológica relacionadas com a idade e que representam uma série complexa de eventos. Com a idade as respostas proliferativas estão diminuídas a uma variedade de antígenos. De um ponto de vista prático, mudanças no sistema imunológico relacionados com a idade predispõem o pulmão a infecções respiratórias virais. Com o avançar da idade, mudanças estruturais acontecem nas vias aéreas superiores e inferiores, inclusive nos tecidos adjacentes. Além da perda dos reflexos protetores da tosse, relacionados a idade, os indivíduos idosos apresentam diminuição na atividade reflexa e aumento no risco de aspiração. Mudanças morfológicas também acontecem no tecido pulmonar propriamente dito.

As infecções têm valor importante no idoso, particularmente aqueles que são inválidos e institucionalizados. Muitas infecções acontecem com mais freqüência na idade avançada e determinam morbidez e taxas de mortalidade maiores no idoso que no jovem. Considerando que muitas dessas enfermidades são evitáveis ou curáveis, é importante uma boa compreensão do diagnóstico, do tratamento e da prevenção de infecções associadas ao processo de envelhecimento.

O tratamento de pacientes com alterações respiratórias deve ser feito de forma global. A reabilitação pulmonar é indicada para todos os pacientes com problemas e alterações respiratórias como dispnéia, acúmulo de secreções e diminuição da capacidade pulmonar. A fisioterapia possui excelentes resultados nessa área e possui ferramentas determinantes no processo de recuperação desses pacientes. A fisioterapia respiratória ambulatorial esta indicada para todos os pacientes que apresentam algum comprometimento pulmonar, seja ele crônico ou agudo. Alguns pacientes, principalmente idosos,desenvolvem limitações da função respiratória após serem submetidos a grandes cirurgias, quadros infecciosos ou neurológicos com período prolongado de internação e permanência no leito. Esses pacientes, quando atingem uma estabilidade clínica, em geral recebem alta e deverão ser acompanhados fora do ambiente hospitalar devido sua depressão imunológica, a qual pode facilitar a piora do quadro pelo contato com ambiente normalmente contaminado.

O uso de técnicas fisioterapeuticas terá o objetivo de promover a eliminação de secreção com o auxílio das manobras de higiene brônquica, a reexpansão pulmonar, a reeducação respiratória e as atividades de vida diária. Alem disso, devem ser realizados exercícios de fortalecimento muscular, alongamento e condicionamento físico, objetivando o aumento da mobilidade torácica e corporal, bem como maior eficiência do ato respiratório e da funcionalidade global. Dessa forma o fisioterapeuta respiratório deve atuar na prevenção de recidivas do aparecimentos de quadros infecciosos pulmonares nos pacientes crônicos, além de desempenhar função curativa, no casos agudos, e educacional para todos os pacientes, familiares ou cuidadores.

A fisioterapia na terceira idade é fundamental para restabelecer a autonomia, a qualidade de vida, a saúde e bem estar do idoso, uma vez que o fisioterapeuta é o profissional capacitado para intervir nas condições de saúde em todos os seus aspectos, sejam alterações agudas ou crônicas, assim como medidas preventivas e educacionais para o paciente e para seus familiares e cuidadores.  Um dos principais objetivos da fisioterapia no idoso é trabalhar a independência, estimular suas capacidades e produtividade, respeitando suas limitações e mostrando novas possibilidades.

Devemos ressaltar que a independência pode ser afetada por muitos eventos, e não só por problemas de saúde física e mental que acarretam incapacidade funcional. A dependência é definida como a incapacidade de a pessoa funcionar satisfatoriamente sem ajuda, devido às limitações físico-funcionais, às limitações cognitivas, ou à combinação dessas duas condições.

A qualidade de vida na velhice tem relação direta com a existência de condições ambientais que permitam aos idosos desempenhar comportamentos biológicos, sociais e psicológicos adaptativos. As condições ambientais relacionam-se com a qualidade de vida percebida e também com o senso de auto-eficácia, este um importante precursor do comportamento em todas as idades, na medida em que significa a crença aprendida pelo individuo a respeito de sua competência para comportar-se de modo que obtenha os resultados almejados. Avaliar qualidade de vida significa também comparar suas condições ao longo do tempo e registrar a desejabilidade das mudanças ocorridas no tempo, em comparação com pessoas da mesma idade, mais novas e mais velhas, portadoras das mesmas ou de diferentes condições de saúde ou de ambiente. Na prática, supõe-se que as pessoas avaliem a qualidade de vida comparando a vida que tinham no passado com a que pretendem ter no futuro. 

 

  • As informações contidas e citadas no artigo acima foram retiradas do livro Fisioterapia geriátrica: a prática da assistência ao idoso; dos autores José Rubens Rebelatto e José Geraldo da Silva Morelli. 2ª edição (ampliada), 2007, editora Manole.
  • Abaixo segue o link da editora com a foto do livro citado:
  • http://www.manole.com.br/cgi/supercart.exe/idSearch?ok=detalhes.htm&nothing=nada.htm&b=221&prod_id=422&store_friend=&depto=

    Responsável pela edição: Maíra Schmitz – Fisioterapeuta - CREFITO 5 - 117.262 - F
  •  

Voltar para notícias