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02.11.2009
Fisioterapia em Geriatria

 

          Em todo o mundo, o número de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo mais rapidamente do que qualquer faixa etária (SHNEIDER e IRIGARAY, 2008). Segundo dados da World Health Organization (WHO – 2005), nosso país terá a sexta maior população de idosos do planeta: mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais (RAMOS, 2005; SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008).


          O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo no qual há alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais que vão alterando o organismo, tornando-o mais susceptível a agressões (GUIMARÃES et al, 2004). Esse somatório de alterações próprias do envelhecimento normal é denominado senescência; já a senilidade é caracterizada por modificações determinadas por afecções que frequentemente acometem a pessoa idosa (PAPALÉO NETTO, 2006).


          A chegada da terceira idade pode ser definida através da idade cronológica, como por exemplo no Brasil que, de acordo com o Estatuto do Idoso (2003), reconhece como idosas as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Porém, a idade cronológica refere-se somente ao número de anos que tem decorrido desde o nascimento da pessoa, não sendo considerado um índice de desenvolvimento biológico (SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008). Sendo assim, pode-se falar em envelhecimento pela idade funcional, que, segundo Papaléo Netto (2006), é definida como o grau de conservação do nível de capacidade adaptativa em comparação com a idade cronológica. Para Veras (1996), em decorrência das precárias condições de vida nos países em desenvolvimento, o envelhecimento funcional precede o cronológico, fato ainda mais evidente nas populações carentes.


          Dentre as alterações fisiológicas e biomecânicas inerentes ao processo de envelhecimento, pode-se citar as osteomusculares que foram descritas por Hiraro, Fraga e Mantovani (2007): o enrijecimento dos ligamentos e a degeneração das cartilagens, o que causa redução da mobilidade e velocidade dos movimentos. Além disso, ocorre diminuição da massa óssea devido à osteoporose e redução da massa muscular e aumento do tecido adiposo, diminuindo a força muscular e a necessidade calórica diária.


          Essas alterações influenciam no desempenho funcional do idoso. De acordo com Alves, Leite e Machado (2008), a capacidade funcional de cada sistema do organismo humano diminui de forma progressiva a partir dos 30 anos. O desempenho funcional vai declinando pouco a pouco com o passar dos anos, ocorrendo o denominado envelhecimento funcional. Podem surgir sintomas de fraqueza, rigidez, dor, desequilíbrio, interferindo na realização das atividades de vida diária (AVDs) e reduzindo a mobilidade do idoso, com risco para restrição ao leito, à poltrona ou à cadeira de rodas (RAMOS, 2005).


          A fisioterapia tem grande importância no processo de envelhecimento e tem como objetivos retardar a progressão das perdas motoras e do déficit de equilibro, reduzindo assim o risco de quedas, evitar encurtamentos e deformidades e incentivar a independência do idoso (CHRISTOFOLETTI et al, 2006; MELO e DRIUSSO, 2006). Faria et al (2003) salientaram que quaisquer alterações que prejudiquem a força muscular, o equilíbrio e a marcha dos idosos irão levar à disfunção; por isso, um programa de tratamento fisioterapêutico deve priorizar as causas dessa disfunção, favorecendo a autonomia do idoso e sua inserção social, além de uma melhor qualidade de vida.

 

REFERÊNCIAS

  • ALVES, Luciana Correia; LEITE, Iúri da Costa; MACHADO, Carla Jorge. Conceituando e mensurando a incapacidade funcional da população idosa: uma revisão de literatura. Revista Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, n. 13, v. 4, p. 1199-207, 2008.
  • CHRISTOFOLETTI, G. et al. Risco de quedas em idosos com doença de Parkinson de Demência de Alzheimer: um estudo transversal. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 10, n. 4, p. 429-33, outubro/dezembro, 2006.
  • FARIA, Juliana de Castro et al. Importância do treinamento de força na reabilitação da função muscular, equilíbrio e mobilidade de idosos. Acta Fisiátrica, v. 10, n. 3, p. 133-7, 2003.
  • GUIMARÃES, Laiz Helena de Castro Toleto et al. Avaliação da capacidade funcional de idosos em tratamento fisioterapêutico. Revista Neurociências, São Paulo, n. 3, v. 12, p. 131-4, julho/setembro, 2004.
  • HIRARO, Elcio S.; FRAGA, Gustavo Pereira; MANTOVANI, Mario. Trauma no idoso. Revista Medicina, Ribeirão Preto, n. 40, v. 3, p. 352-7, julho/setembro de 2007.
  • MELO, Marília Água; DRIUSSO, Patrícia. Proposta fisioterapêutica para os cuidados de portadores da Doença de Alzheimer. Revista Envelhecimento e Saúde, v. 12, n. 4, p. 11-18, 2006.
  • PAPALÉO NETTO, Matheus. O estudo da velhice: histórico, definição do campo e termos básicos. In: Freitas et al. Tratado de geriatria e gerontologia, 2 ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, p. 2-12.
  • RAMOS, Luiz Roberto. Geriatria e gerontologia. 1 ed, São Paulo: Manole, 2005, 346 p.
  • SCHNEIDER, Rodolfo Herberto; IRIGARAY, Tatiana Quarti. O envelhecimento na atualidade: aspectos cronológicos, biológicos, psicológicos e sociais. Revista Estudos da Psicologia, Campinas, n. 25, v. 4, p. 585-93, outubro/dezembro de 2008.
  • VERAS, Renato P. Atenção preventiva ao idoso: uma abordagem de saúde coletiva. In: Papaléo Netto. Gerontologia: a velhice e o envelhecimento em visão globalizada. 1 ed, São Paulo: Atheneu, 1996, p. 383-93.

 


Responsável pela edição: Evandro dos Santos Fortino – Sócio FisioWork-RS

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