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09.11.2016
PRÓTESE TOTAL DE QUADRIL: QUAL ACESSO CIRÚRGICO PROMOVE MENOR TAXA DE COMPLICAÇÃO?

A melhor via de acesso para as cirurgias de quadril ainda é desconhecida. As principais vias utilizadas recentemente para as Artroplastias de Quadril são a Posterior (pósterolateral), Lateral Direta (Hardinge) e a Anterior (Watson-Jones). A via posterior é realizada por meio da secção do ventre do Glúteo máximo e tenotomia dos rotadores laterais do quadril, assim como, capsulotomia posterior. A via lateral caracteriza-se pela secção do tendão conjunto do Glúteo Médio e Vasto Lateral no intervalo entre o Tensor da Fáscia Lata e Glúteo Máximo, podendo ser necessário a realização da Osteotomia do Trocânter Maior (nessa revisão estudos com Osteotomia não foram incluídos). Finalmente, na via anterior é criado um intervalo entre o Glúteo Médio e o Tensor da Fáscia Lata, sendo necessário uma desinserção de uma porção do mecanismo abdutor.

Nessa revisão sistemática com Meta-análise, Berstock et al (2015) compararam os possíveis efeitos adversos das vias Posterior e Lateral Direta. As variáveis estudadas foram: Taxa de luxação da prótese, marcha de Trendelenburg, ossificação heterotópica, discrepância de comprimento do membro inferior, tempo do período intraoperatório e desalinhamento dos componentes da prótese. Seis estudos foram incluídos nessa revisão, sendo 3 Ensaios clínicos randomizados e controlados (ensaios mais recentes).

Os resultados demonstraram a taxa de luxação da prótese foi similar entre as vias de acesso, corroborando com estudos prévios, variando entre 1-3%. Em uma revisão de 2006, Kwon et al (2006) verificaram que a realização do reparo da cápsula posterior e dos rotadores laterais diminui a taxa de luxação da prótese de 4% para menos de 1%, tornando esse procedimento muito seguro.

O principal achado dessa revisão foi a MAIOR PROBABILIDADE DA PRESENÇA DA MARCHA DE TRENDELENBURG em sujeitos submetidos a Prótese total de quadril pela via Lateral Direta, tanto em curto quanto em longo prazo. Na última revisão realizada em 2006 pela Cochrane não havia evidências suficientes para apontar superioridade para nenhuma das vias. Porém, nesse update, a via Posterior demonstrou ser superior, produzindo menor complicação. Além disso, a via posterior também demonstrou menor probabilidade de desalinhamento dos componentes da prótese.

Tendo em vista os achados dessa revisão sistemática, o fisioterapeuta deveria sempre estar ciente da via de acesso utilizada nos procedimentos cirúrgicos de seus pacientes. O conhecimento preciso da via de acesso e de suas possíveis complicações permitiria a elaboração de um programa de reabilitação ideal!!!

TEXTO: Prof. Dr. Rodrigo Baldon

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25519259
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16741471
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16856020

Fonte: Evidência Nível 1 Que Fisioterapia Funciona

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