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19.08.2014
Quem vem primeiro: DTM ou dor cervical?

A disfunção temporomandibular (DTM) é um termo utilizado para reunir um grupo de doenças que acomete os músculos mastigatórios, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas adjacentes. Essa disfunção é altamente debilitante e altera a realização de algumas funções essenciais como mastigar e falar. Sua incidência na população vem aumentando consideravelmente, principalmente entre as mulheres de meia idade, que representam 80% dos pacientes.

 

A ATM é um dos componentes do sistema estomatognático e apresenta ligação articulada da mandíbula com a base do crânio. Este por sua vez, apresenta conexões musculares e ligamentares com a região cervical que juntos formam um sistema funcional denominado sistema crânio-cervico-mandibular.

 

Devido à íntima relação existente entre os músculos da cabeça e região cervical com o sistema estomatognático, surge a discussão quanto as origens da DTM. Seria essa de afecção das estruturas adjacentes, como os músculos cervicais que desencadeiam processos deletérios na ATM, ou a DTM causadora de lesões e compensações em outras estruturas?

 

Estudos analisaram a relação crânio-coluna cervical, nota-se que a maior parte do peso do crânio, seu centro de gravidade, passa na região anterior da coluna cervical e nas ATM’s. Sendo assim, sua posição ortostática é mantida por um complexo mecanismo muscular envolvendo músculos da cabeça, pescoço e cintura escapular. Devido a estas íntimas relações, qualquer alteração em uma destas estruturas poderá levar a um desequilíbrio postural, não somente nestes locais, como também nas demais cadeias musculares do organismo. Assim, alterações posturais da cabeça podem levar a um processo de desvantagem biomecânica da ATM, favorecendo a um quadro de DTM.

 

Entretanto, diversos estudos têm demonstrado, por sua vez, que pacientes com DTM possuem alterações na posição da cabeça e ombros, bem como aumento da lordose cervical. Esses desvios no posicionamento da cabeça e ombros podem ocorrer como consequência de diferentes alterações, como distúrbios crânio-mandibulares. Distúrbios do aparelho estomatognático, como a hiperatividade muscular por exemplo, levam a anteriorização cervico-escapular. A atividade aumentada da musculatura mastigatória interfere nos músculos chamados de contra apoio (esternocleidomastoideo e trapézio) levando ao encurtamento dos músculos posteriores do pescoço e alongamento dos anteriores, acarretando em uma projeção anterior do corpo, que ultrapassa o quadrilátero de sustentação. Essas atividades mastigatórias foram verificadas por alterarem o sinal eletromiográfico dos músculos cervicais. Simultaneamente, como já descrito, a posição anterior da cabeça irá distúrbios de posicionamento e funcionamento mandibular, levando a uma crescente tensão na musculatura mastigatória e, consequentemente, DTM.

 

Dessa forma, se mantêm a dúvida. Sabe-se que um comprometimento leva a outro e vice-versa, demonstrando a grande globalidade do corpo humano, havendo grande interação entre suas estruturas. À partir daí selecionar o início das lesões é complexo e exige estudos determinando as ações musculares das diversas estruturas e suas relações, bem como a interação dos movimentos articulares entre si e a musculatura. Até lá, temos a consciência de prevenir a ampliação de um quadro de lesão, reabilitando não somente as estruturas acometidas, mas, também, prevenindo a disfunção para as demais localidades.

 

Fonte: Fisioterapia Manual

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